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  • "SOCIOLOGIA DA EDUCAÇAO" O COTIDIANO NA EDUCAÇÃO INFANTIL

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    Ago
    17/08/2011 às 00h53

     

    O COTIDIANO NA EDUCAÇÃO INFANTIL

    A efetivação da Lei 11.274 de 06 de fevereiro de 2006, passa a incluir as crianças com 06 anos de idade no Ensino Fundamental e amplia o Ensino Fundamental para 09 anos.

    É preciso redimensionar , reestruturar e repensar o Ensino Fundamental, para ser adequado à faixa etária e para que mais um ano de ensino obrigatório, democratize o ensino, e promova a inclusão e diminua as desigualdades.

    A efetivação desta Lei, é uma oportunidade única de se pensar a escola, espaço, tempo e currículo – não só para as crianças de 06 anos, mas para as de 07, 08, 09 e 10 anos de idade.

    A Educação Infantil, com suas práticas pedagógicas, que visam ao desenvolvimento integral das crianças, focadas nas linguagens, na expressão, no espaço do brincar, na apropriação interdisciplinar de conhecimentos...

    E com seu sistema de avaliação de acompanhamento e registro do desenvolvimento das crianças têm muito a contribuir em diálogo com o Ensino Fundamental.

    A cada dia, são mais recorrentes os estudos que apontam a importância dos primeiros anos de vida para o desenvolvimento da criança.

    Conforme documentos da UNICEF sobre a situação da infância no Brasil (2001) descobertas têm demonstrado convincentemente que a primeira infância, desde a gestação, é a fase mais crítica da pessoa no que diz respeito ao seu desenvolvimento biológico, cognitivo, emocional e social.

    E mais:

    As crianças que freqüentam uma Educação Infantil de boa qualidade obtém melhores resultados em testes de desenvolvimento e em seu desempenho no Ensino Fundamental.

    Cabe ainda ressaltar que no mundo contemporâneo, diferentemente do passado, freqüentar espaços de Educação Infantil não se relaciona mais à classe social, não são apenas os filhos das mulheres trabalhadoras que precisam de uma instituição para cuidar e educá-los.

    As mudanças sociais têm conferido à Educação Infantil um papel importante na vida das crianças, fazendo parte da socialização das crianças de qualquer classe social.

    Sendo assim, as crianças passam a ter seu cotidiano regulado por uma instituição educativa. Lugar de socialização, de convivência, de trocas, de interações, de afetos, de ampliação e inserção sociocultural.

    De constituição de identidades e de subjetividades, neste lugar, partilham situações, experiências, culturas, rotinas, cerimônias institucionais, regras de convivência, estão sujeitas a tempos e espaços coletivos, bem como a graus diferentes de restrições e controle dos adultos.

    Ter acesso à Educação Infantil é um direito constitucional das crianças desde que nascem, um direito que abarca outros direitos, na medida em que inclui a proteção das crianças sem seus aspectos mais integrais.

    Nos processos interativos as crianças não apenas recebem e se formam, mas também criam e transformam, são constituídas na cultura e também são produtoras de cultura...

    Uma proposta se efetiva em espaços e tempos, através de atividades realizadas por crianças e adultos em interação.

    As condições do espaço, organização dos recursos, diversidade de ambientes internos e ao ar livre, adequação, limpeza são fundamentais à uma boa escola de Educação Infantil...

    A brincadeira é fundamental para a criança interagir e construir conhecimentos sobre si mesma e sobre a realidade que a cerca.

    Um trabalho de qualidade para as crianças pequenas exige ambientes aconchegantes, seguros, estimulantes, desafiadores, criativos, alegres e divertidos, onde as atividades elevem sua auto-estima e agucem sua curiosidade nata...

    Os espaços para as atividades precisam ser compreendidos como espaços sociais, onde o educador tem papel decisivo, não só na organização mas também em sua postura, na forma de mediar as relações, ouví-las instigá-las.

    Porém, o fato de as instituições de Educação Infantil serem entendidas como espaços-ambientes educativos não significa adotar o modelo escolar vigente.

    Este modelo costuma ter uma prática pedagógica voltada para conteúdos segmentados e fragmentados e atividades dirigidas por professores com alunos cumprindo tarefas e passando grande parte dentro de uma sala de aula.

    Este modelo têm sido questionado...

    Trata-se de pensar um trabalho que vincule o lúdico ao educativo, que entenda o pedagógico como cultural, que desconstrua a idéia de aluno, de aula e conceba o sujeito criança...

     

     

     

     

    Continuando  O  Cotidiano na Ed. Infantil

    FUNÇÕES E PROPOSTAS

    “ Cresci brincando no chão, entre formigas. De uma infância livre e sem comparamentos. Eu tinha mais comunhão com as coisas do que comparação. Porque se a gente fala a partir de ser criança, a gente faz comunhão: De um orvalho e sua aranha, de uma tarde e suas garças, de um pássaro e sua árvore”. ( Manuel Barros )

    Atenção ao histórico dos pré-escolares...

    As políticas educacionais da década de 70, pautaram-se na educação compensatória, com vistas à compensação de carências culturais, deficiência lingüísticas e defasagens afetivas das crianças provenientes de classes populares...

    Influenciados por programas desenvolvidos nos EUA e na Europa, documentos oficiais do MEC e Pareceres do então Conselho Federal de Educação, defendiam a idéia de que a pré-escola poderia salvar a escola dos problemas relativos ao fracasso escolar...

    Nos anos 1980 e 1990, a Educação Infantil passa a ser considerada como a primeira etapa da Educação Básica, onde o Estado e os Municípios passam a oferecer creches e pré-escolas (assegurado a opção da família) como melhoria da qualidade de vida da população.. .

    Mais: Ver ECA, LDB, Constituição Federal.

    A partir de 2000, a Educação Infantil passa a ser vista como uma necessidade da sociedade, caracterizando-se por um espaço de socialização, de troca, de ampliação de experiências e conhecimentos, de acesso a diferentes produções culturais.

    Entretanto, a Educação Infantil, segundo o próprio MEC (1996) , nasce de uma intencionalidade educativa explicitada num currículo pré-estabelecido.

    Acreditar que uma proposta se efetiva em espaços e tempos, através de atividades realizadas por crianças e adultos em interação.

    As condições do espaço, organização, recursos, diversidades de ambientes internos e ao ar livre, adequação, limpeza, segurança , são fundamentais, mas é nas relações que os sujeitos estabelecem que o espaço físico deixa de ser um material construído e adquire condições de ambiente.

    Um trabalho de qualidade para as crianças pequenas exige ambientes aconchegantes, seguros, estimulantes, desafiadores, criativos, alegres e divertidos, onde as atividades valorizem e ampliem suas experiências e seu universo cultural.

    Ambientes que se abram às brincadeiras, que é o modo como as crianças dão sentido ao mundo, produzem histórias, criam cultura, experimentam e fazem arte.

    A brincadeira é fundamental para a criança interagir e construir conhecimentos sobre si mesma e sobre a realidade que a cerca.

    Segundo Vygotsky (1993), na brincadeira a criança comporta-se de forma mais avançada do que nas atividade de vida real.

    Além disso, a brincadeira fornece ampla estrutura para mudanças das necessidades e da consciência pois nela as crianças ressignificam o que vivem e sentem.

    Carlos Drummond de Andrade assim retrata esse momento lúdico:

    “ Brincar não é perder tempo, é ganhá-lo. É triste ter meninos sem escola, mas, mais triste é vê-los enfileirados em salas, com exercícios estéreis, sem valor para a formação humana .”

    Howard Gardner assim se posiciona:

    Brincar é um componente crucial do desenvolvimento, pois, através do brincar a criança é capaz de tornar manejáveis e compreensíveis os aspectos esmagadores e desorientadores do mundo.

    Na verdade o brincar, é um parceiro insubstituível do seu desenvolvimento, seu principal motor. Em seu brincar, a criança pode experimentar comportamentos, ações percepções sem medo de represálias ou fracassos, tornando-se assim, mais bem preparada para quando o seu comportamento ‘contar’...

    Para Bruno Bettelheim, através da brincadeira de uma criança podemos compreender como ela vê, constrói o mundo – o que ela gostaria que ele fosse, suas preocupações e que problemas a estão assediando.

    Pela brincadeira ela expressa o que teria dificuldade de colocar em palavras.

    Nenhuma criança brinca só para passar o tempo... Sua escolha é motivada por processos íntimos, desejos, problemas, ansiedades...

    O que está acontecendo com a mente da criança, determina suas atividades lúdicas; brincar é sua linguagem secreta, que devemos respeitar mesmo se não a entendemos...

    O movimento, o jogo, a ação corporal e a vivência das sensações constituem um elo entre o eu, o mundo e os outros, sendo este o primeiro plano de um fazer mental e expressivo.

    Durante toda infância, atividades corporais, movimentos específicos, brincadeiras, constituem meios insubstituíveis para o desenvolvimento pessoal nas esferas motora, afetiva e cognitiva.

    Com isso pode-se afirmar que são os educadores que dão o tom ao trabalho, que reforçam ou não a capacidade crítica e a curiosidade das crianças, que as aproximam dos objetos e das situações, que acreditam ou não nas suas possibilidades.

    São os educadores que fazem a ponte com as famílias e a comunidade, que promovem a troca sobre o desenvolvimento, as conquistas e as necessidades das crianças, que esclarecem os pais sobre assuntos que dizem respeito à infância.

    Por sua vez o fato de as instituições de Educação Infantil serem entendidas como espaços-ambientes educativos, não significa adotar o modelo escolar vigente, que costuma ter uma prática pedagógica voltada para conteúdos segmentados e fragmentados.

    Pensar o trabalho que vincule o lúdico ao educativo, que entenda o pedagógico como cultural, que desconstrua a idéia de aluno, de aula e conceba o sujeito criança, num espaço de convívio coletivo e onde as mais diversas relações possam se estabelecer é a idéia fundamental nesta nova Prática Pedagógica.

    Então cabe-nos indagar:

    Como tem sido organizado o cotidiano das crianças na Educação Infantil?

    Em que medida as crianças pequenas participam das rotinas, alteram e transformam as regras, os tempos e espaços instituídos?

    Que espaços e tempos a escola abre aos pequenos?

    O que as crianças produzem nas ações e interações que ali ocorrem?

    Qual é o lugar da brincadeira e das diferentes linguagens e expressões artístico-culturais das crianças?

    Por fim devemos pensar que na Educação Infantil é um lugar privilegiado de trocas, de expressão, de ampliação de experiências, de produção de conhecimento, de vivência de afetos e sentimentos, de conquistas e desenvolvimento pleno de suas potencialidades.

    CAROS PROFESSORES (AS)

    Neste espaço lúdico, preparamos o aluno, o cidadão, aquele que vai desencadear toda mudança cognitiva em suas aquisições de experiências significativas.

    ENTÃO, MÃOS-À-OBRA!

    BIBLIOGRAFIA

    O Cotidiano na Educação Infantil.

    Boletim 23. Novembro 2006. Salto para o Futuro.

    Digite os números da imagem ao lado:

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